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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

QUANDO LEVAREMOS O NORDESTE A SÉRIO?

Eduardo Passaia, consultor de empresa é filiado ao Partido Novo.






Esta história foi contada pelo economista Marcos Lisboa, presidente do Insper, e nos mostra que em determinadas áreas, espantosamente estamos ainda nos anos 60.

Douglass North, grande economista americano, esteve no Brasil, a convite de Celso Furtado, nos anos 60, para conhecer a SUDENE (grande Kubitscheck e suas bobagens megalomaníacas) e seus propósitos.

Pois bem, North foi visitar nosso querido Nordeste e depois de um tempo, estudando suas reais possibilidades de desenvolvimento, voltou até Furtado e disse, na lata, que tudo daria errado e elencou rapidamente os problemas mais óbvios:

1- não existe mercado consumidor local que faça com que indústrias sejam necessárias e economicamente viáveis no NE;

2- a condição educacional da população não permite que os empregos que estas indústrias ofereceriam a princípio, sejam preenchidos de forma eficiente, o que geraria baixíssima produtividade e obviamente tornariam os investimentos do programa insustentáveis.

North ainda deu a sugestão de norte que deveria ser seguido para que o desejo de Furtado pudesse ter êxito, dizendo:

-Furtado, por que, ao invés de despejar dinheiro público de forma arriscadíssima e com baixíssima possibilidade de êxito, não se investe em educação básica para o povo local (Coreia do Sul feelings) e em estudos qualitativos por regiões para que se identifique as potencialidades naturais e vantagens comparativas de cada uma delas?

Furtado escutou e resolveu dar de ombros (hoje temos indícios do porquê), injetando enormes quantias de dinheiro público da SUDENE (aliás, do brasileiro) em zonas industriais, criadas no NE todo. O resultado chegou, exatamente como previu Douglass North: o Nordeste continua subdesenvolvido, sem indústrias realmente produtivas, muitas sobrevivendo de subsídios eternos, continua sendo uma região sem níveis educacionais sequer razoáveis e Douglass North ganhou prêmio Nobel de economia no início dos anos 90.

A lição desta história, é que não adianta pular etapas e torrar rios e rios de dinheiro (sempre público) em pontos que não nos trarão qualquer benefício sustentável. O Brasil vive de vôos de galinha e populismo barato. Ou nos levamos a sério, ou esquece. O Brasil tem que recuperar o tempo perdido, focando em prioridades, sendo a educação de base, sem qualquer dúvida, a mais essencial.

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