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quinta-feira, 27 de setembro de 2018

CONSTRUÇÃO CIVIL ACUMULA PERDAS HÁ 51 MESES, DIZ FGV



Um dos mais importantes setores da economia brasileira não se desvencilhou da crise. A construção civil acumula, em nível nacional, perdas há 51 meses. No Rio Grande do Norte, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor demitiu 61 mil trabalhadores entre o primeiro trimestre de 2014 e o primeiro trimestre deste ano – queda de 42,65% na força de trabalho. Desde 2016, pelo menos, nenhum novo empreendimento imobiliário é lançado no estado, conforme dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon/RN). As perspectivas para os últimos meses deste ano são de estagnação nas vendas. 

No Rio Grande do Norte, fim das obras para a Copa do Mundo em 2014 provocou demissão em massa; setor ainda não se recuperou

“Não há melhoria no setor. A grande consequência da crise, e eu nem gosto desse termo, é a falta de emprego. O setor da construção civil foi o primeiro a entrar em declínio e será o último a sair”, comentou Larissa Dantas, vice-presidente para Mercado Imobiliário do Sinduscon/RN. Ela apontou que a instabilidade econômica provocada pelo atual cenário políticio provocou uma lentidão na retomada do crescimento do setor. Além disso, o número elevado de desempregados e devedores em todos os estados brasileiros impedem a liberação de crédito para possíveis compradores de imóveis. 

Até o fim deste ano, podendo se prolongar por alguns meses de 2019, em decorrência das mudanças políticas que deverão ocorrer no País, principalmente, e também no Rio Grande do Norte em decorrência das eleições, as expectativas não remetem ao positivismo. “Eu não vejo, de fato, uma perspectiva positiva”, declarou Larissa Dantas. Somente de janeiro a agosto deste ano, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, 693 trabalhadores da construção civil potiguar foram demitidos. Uma melhora poderá ocorrer a partir de 2019, com o início da construção de 1.236 unidades habitacionais inscritas no Programa Minha Casa Minha Vida em Natal (Residencial Planalto Privilege I, II, III, IV e V com 240 apartamentos) e Mossoró (Residencial Mossoró V e VI com 496 unidades habitacionais e Residencial João Newton da Escossia Etapas 1 e 2 com 500 apartamentos). 

Estagnação

A construção civil ficou estagnada em julho em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados compõem o cálculo do Monitor do PIB, apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). 

Os investimentos da construção civil só registraram expansão em abril (2,7%), considerando-se um período de 4 anos e 4 meses. Já a compra de máquinas e equipamentos, que mostra recuperação desde o início de 2017, teve crescimento de 14,1% em julho de 2018 ante julho do ano passado, a 13.ª taxa positiva consecutiva.

O empresariado brasileiro vem retomando a modernização do parque produtivo, mas a recuperação da taxa de investimentos na economia não decola por conta da paralisação nas obras de infraestrutura e do receio das famílias em comprometer a renda com financiamento imobiliário diante do cenário ainda complicado do mercado de trabalho, avaliou Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB da FGV. 

A Formação Bruta de Capital Fixo (indicador usado para medir investimentos na economia) subiu 4,5% em julho de 2018 ante julho de 2017. A taxa de investimento em relação ao PIB foi de 17,4% no mês de julho. Em 2013, quando atingiu o auge da série histórica, essa taxa estava próxima de 21%.

Confira abaixo o comportamento da construção civil no RN

143 mil trabalhadores formais no primeiro trimestre de 2014;

82 mil trabalhadores formais no primeiro trimestre de 2018;

61 mil trabalhadores demitidos no RN em quatro anos;

42,65% de queda no número total de empregados;

2 anos sem nenhum empreendimento novo lançado no estado;

693 trabalhadores demitidos do setor de janeiro a agosto deste ano.

Tribuna do Norte

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